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terça-feira, abril 05, 2011
sábado, maio 03, 2008
sobre humanismo e filmes adolescentes
Oito anos atrás eu escrevia uma monografia para o encerramento do meu curso de comunicação social, o tema do trabalho era voltado para o cinema e uma certa cultura adolescente característica dos anos de 1990. Em uma parte do trabalho eu analisei nove filmes divididos em três tópicos. O cinema como linguagem não era a ferramenta central para análise, porque eu me preocupei mais com o cinema como prática social e os movimentos dos quais ele faz parte. Acho que fazia sentido eu pegar esses objetos em um momento em que eu estava ainda no limbo, não me sentia um adulto ainda e certamente não era mais adolescente. Agora, já me descobri adulto, tenho título de mestre, escrevi roteiros para filme (dos quais apenas dois foram filmados, é verdade). E, em termos de observação, tenho me interessado mais pelo cinema como linguagem, embora não tenha me afastado do cinema como prática social.
Nos últimos meses vi três filmes com temática claramente adolescente, e não é raro esse tipo de filme me interessar. A diferença está no fato desses filmes terem me impressionado por conta do cinema que eles mostram. Às vezes nas imagens em si, às vezes nas narrativas e personagens que nos apresentam. Contar história através de imagens audiovisuais, simplificando, é isso do que trata o cinema...
Superbad é uma típica comédia americana voltada para adolescentes. Temos uma high-school, personagens tentando faturar nos últimos dias antes da formatura, enquanto se preparam para ir para a faculdade. Mas tem algo mais nessa típica comédia. Existe uma história e seus personagens. Um bem-sucedido exercício de cinema pessoal. Algo tocante e muito engraçado. A cuidadosa construção dos personagens nos apresentam dois amigos prestes a se separarem, nos apresenta também um terceiro que é um dos personagens mais comicamente icônicos dessa década. O desenrolar da narrativa mostra uma aventura noite a dentro, onde esses três personagens saem em busca de todas as aventuras que não puderam ter em todos os anos do colegial.
Com a cara mais de um típico filme independente, Juno carrega um certo estigma daquele filme de legalzinho do qual todo mundo gosta. Mas, no fim de tudo, é exatamente sobre essa convergência de que trata essa história de uma adolescente descolada e freak que engravida e decide dar a criança para um casal certinho adotar. Logo de cara o filme mostra essa menina que tem sempre um comentário irônico e espirituoso para qualquer ocasião. E ela está grávida do seu melhor amigo, aquele tipo de gente que vive num limbo, não é exatamente um loser, mas certamente não é alguém popular, embora seja um dos atletas do seu colégio. E ela vai conhecer os futuros pais do seu filho, um casal que mora em um bairro rico, a mulher é a típica executiva com seus livros de auto-ajuda, ele é um bem-sucedido compositor de jingles de publicidade, ainda que se sinta frustrado como sabemos mais adiante. E é justamente nesse momento em que o filme parece se dividir entre as caricaturas dos descolados e as caricaturas dos caretas, que história aponta para essa convergência. Uma certa abertura para os seres humanos que existem por trás desses códigos, e que por serem pessoas e complexas, podem se entender.
O outro filme é o típico programa dessas mostras de filmes. Algo que pode ser chamado de cinema de autor, filme de arte, ou um programa muito chato. O fato é que Paranoid Park, é um filme com uma trama simples, personagens igualmente adolescentes e que até fazem parte dos estereótipos das comédias adolescentes (ele é skatista, tem uma namordada líder de torcida e tem uma desses meninas estranhas que tenta se aproximar dele). A história é simples, mas a forma como ela é narrada não se preocupa tanto com os acontecimentos, mas com os sentimentos, as emoções. São planos cuidadosos, uma fotografia bela que nos abrem uma fresta para a sensação tão de um adolescente que fez algo errado. Em vários graus diferentes, qualquer pessoa pode já ter passado por uma situação do tipo, em que as coisas parecem não mais se encaixar e sua vida claramente não vai mais voltar para o lugar.
E são três filmes bem diferentes. Mas com tantas coisas em comum. Basicamente, estão inseridas no mesmo universo. A cena em que o skatista e sua namorada têm a primeira relação sexual que segue a reação entusiasmada da líder de torcida, por exemplo, poderia fazer parte de qualquer um dos filmes (inclusive, não ficaria muito deslocada em um American Pie da vida). Mas o que une ainda mais os filmes, além dos adolescentes americanos que eles retratam, é a relação entre as pessoas. Mais do que isso, é um sentimento forte que as une e as ajuda e as tornam especiais entre si.
Superbad aponta claramente para isso com os dois amigos que sempre foram vistos como uma única entidade, que não conseguem nem esperar alguns minutos para conversarem e usam ligações de celular para encurtar qualquer possível distância. Eles tentam se convencer de que a separação eminente, representada pelo fim da high-school não vai ser nada demais. Tentam se convencer de quem vão tentar se divertirem naquela noite para poderem pegar as garotas que tanto os fascinam, mas fica claro que fazem isso para poderem ter algo para guardar. E no fim da noite, os dois estão mais uma vez juntos e agora não se preocupam mais em esconder o sentimento. Que de fato é amor. Na última seqüência, em uma conversa com uma certa tensão hormonal, fica a certeza de que os dois vão poder curtir o verão ao lado das garotas que descobriram respeitar tanto, mas a última imagem mostra a separação inevitável. É uma imagem carregada de emoção e sentimento, mas de uma forma tão sutil e sincera que às vezes deixa dúvida de ser mesmo parte de uma “típica comédia adolescente”.
Juno é uma garota que foi abandonada pela mãe, e agora busca uma boa família para a criança que espera. Ao longo do filme vemos seus movimentos de aproximação e afastamento das pessoas. Primeiro se afasta do seu melhor amigo, de quem está grávida devido ao uma noite em que ela decide experimentar o sexo com ele. Depois se aproxima do futuro pai adotivo da criança, pois os dois parecem dividir os mesmos códigos e fazer parte do mesmo mundo onde discutir discos de rock e filmes de terror fazem todo o sentido. E em seguida existe o rompimento entre os dois, pois a decisão dele de se separar da mulher parece abalar a certeza de Juno de ter uma família estruturada para seu filho. Talvez por culpa de estar fazendo com a criança o mesmo que sua mãe fez consigo, a menina questiona seu próprio comportamento, para enfim dar um sinal de entendimento com a futura mãe do seu filho. São duas mulheres diferentes. Não dividem os mesmo códigos, certamente não fazem parte do mesmo mundo. Mas existe algo entre as duas que precisa ir adiante. Daí a beleza existente na cena em que Juno a encoraja em sentir a criança em sua barriga. Não se tratam de duas amigas, mas de duas pessoas que nutrem um sentimento semelhante para uma criança que vai nascer, e ambas se esforçam ao máximo para que essa experiência seja e melhor possível para os três. Ao longo do filme, Juno ainda pode contar com sua melhor amiga, e ainda se aproxima da mulher do seu pai, sua referência materna, a mulher que a criou e que passa a lhe dar apoio. E antes do fim, Juno ainda descobre e assume seu amor pelo melhor amigo. O cara mais legal do mundo e que nem se esforça para isso, ainda que ele reconheça se esforçar tanto.
Já o personagem principal de Paranoid Park, parece estar sozinho no mundo, torturado pelo segredo que não divide nem com sua namorada preocupada com outros assuntos, nem com seu amigo impressionado e excitado com a morte de um zelador dos trilhos de trem, justamente o episódio que atormenta seu companheiro de skate. Nem os seus pais, nem seu irmão mais novo, muito menos o policial gente boa, que realmente parece interessado em ajudar, parecem fazer o garoto voltar a se sentir parte desse mundo. E essa solidão parece sempre sofrer a interferência da garota esquisita que tenta se aproximar dele, sempre sem sucesso. O que parece ser interferência se mostra uma bela forma de demonstrar preocupação para com o próximo. Ela não lhe pede para contar o seu segredo. Nem impõe qualquer necessidade de aproximação ou de fazer parte da sua vida. Ela apenas demonstra que está interessada em ajudá-lo, independente de se ele iram ou não manter algum tipo de relacionamento. E ele se abre para ela, sem ter a necessidade de lhe contar seu segredo. É uma contida declaração de amor. Um desejo sincero de que alguém possa se sentir menos sozinho.
domingo, março 09, 2008
ajudem Obama
tipo, os irmãos Coen levaram a melhor no Oscar. os democratas estão para decidir entre um negro e uma mulher para ver quem vai ser o candidato deles e, provavelmente, o próximo a ocupar o cargo máximo da nação. o que será que deu nesses americanos?
ao meu ver, nada. muito massa os Coen terem ganho e tal, a premiação toda foi bem correta e exemplar. mas foi bem previsível, né? oh! mas os prêmios de atuação só foram para europeus. os ingleses não contam muito, já ganharam tanta coisa. vá lá que Bardem seja espanhol, mas latino fazer papel de vilão em filme, não é lá muita novidade, e ganhou coadjuvante, né? prêmio bem merecido, por sinal. ah tá! Marion Cotillard é francesa em um filme francês, falado em francês. desde que Piaf passou na Berlinale, ano passado, todo mundo já apontava esse Oscar. sabe como é, né? ícone da música popular e tal. Cotillard já tem carreira em Hollywood e o agradecimento dela tava mais para alguma adolescente americana (acho que nem Ellen Page se comportaria daquele jeito) do que uma diva francesa.
mas e Obama? e Hillary? homem a gente trata pelo sobrenome, mulher vai pelo nome mesmo. até porque Clinton é o marido dela. eita! ele já foi presidente dos EUA, né? e sabe quem foi o presidente antes dele? Bush, o pai. ia ser massa mesmo esse fato novo, duas famílias se alternando no poder. já tô pensando na campanha de Chelsea Clinton para daqui a uma década ou duas.
tudo bem, o cara se chama Barack Hussein Obama. e ainda por cima é negro. acedência africana e tal. isso é forte. já tão dizendo que o cara vai ser assassinado se for eleito. exageros a parte, essa história do cara ser afro-americano com nome muçulmano é um achado, né não? só que ele não é muçulmano. e quanto a ser negro...
tem um filme da década de 1980 que se chama “As Amazonas na Lua” que é formado por uma dezena de esquetes. a estrutura é a seguinte: num sábado a noite enquanto um canal de TV exibe um filme de ficção da década de 1950, o espectador fica zapeando durante os intervalos, aí entram as esquetes diferentes. uma delas é com B.B. King, uma campanha para ajudar o que ele chama de Blacks Without Soul – que lembram o primo de Will Smith naquele seriado que ele fazia
Obama me lembra um bocado essa galera. tudo bem que ele não é republicano, mas sei lá. eu não consigo imagina Obama ouvindo o último disco de Jay Z. e que disco fuderoso é aquele! tipo, antes tinham criticado o cara por estar fazendo aquele RAP de sujeito com a vida estável, cheio da grana, casamento indo bem... só que Jay Z leva mesmo essa vida estável agora, e deve soar forçado ele falar da dificuldade de viver na rua e coisa e tal. só que o cara teve a idéia de fazer um disco conceitual, pega a trajetória de Frank Lucas – isso mesmo, o personagem de O Gangster – para fazer um disco com essa temática de disco de RAP. eu não vi o filme de Ridley Scott (dificuldade com Russel Crowe, sabe?), mas duvido que seja melhor que o American Gangster de Jay Z.
Mixtape#3
demorou pra eu postar dessa vez, mas já tava pronta faz tempo. acabou que eu tava ocupado com outras coisas e por veze acabei perdendo o ânimo de postar. a seleção tá variada, talvez não tanto quanto da outra vez, mas de fato está. de qualquer forma, eu tentei manter um 'conceito' dessa vez. me soa bem, mas não sei se funciona como conceito.
lado 1: [tocar]
Piano Man (Billy Joel) || Será que eu vou virar bolor (Arnaldo Baptista) || I'll Come Running (Brian Eno) || I Feel Like Going Home (Yo La Tengo) || Angel (Fiona Apple) || Mr. Boejangles (Nina Simone) || Programmable Soda (Tori Amos) || Pit Stop [Take Me Home] (Lovage)
lado 2: [tocar]
Long Flowing Robe (Todd Rundgren) || Um Girassol da Cor de Seu Cabelo (Lô Borges) || Grow Grow Grow (PJ Harvey) || Dead Piano (Pram) || Flip Flop Rock (Outkast ft. Killer Mike & Jay-Z) || Tudo Tem (João Donato) || Cantaloupe Island (Herbie Hancock) || Linus and Lucy (Ellis Marsalis Trio)
sábado, fevereiro 09, 2008
Mixtape#2
mais uma mixtape. tá bem variada, dessa vez. acho que alguns vão achar variada demais. é um pouco mais curto que a anterior.
é possível ouvir nesse widget na coluna do lado.
lado 1: [tocar][baixar]
Concrete Schoolyard (Jurassic 5) || Magpie (Death By Chocolate) || Everything's Just Wonderful (Lily Allen) || Harvest Moon (Neil Young) || Paperbag (Fiona Apple and Jon Brion) || Pérola Negra (Luiz Melodia) || Killing Moon (Pavement) || Tema de Nara [vocal] (Tomaz Alves Souza)
lado 2: [tocar][baixar]
Porque te vaz (Jeanette) || Gatinha Manhosa (Erasmo Carlos) || Little Room (Norah Jones) || Kids (Coralie Clement) || Somewhere (Tom Waits) || I'm not in love (Tori Amos) || Gnossienne No 5 (Erik Satie) || Jesus And I Love You (April March)
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
sendo imperativo
vão ver logo 4 meses 3 semanas e 2 dias
tem uma cena com um telefone tocando que ninguém se mostra minimamente interessado em atender. é barra-pesada, mas vão ver mesmo assim.
certo?
vão logo.
sexta-feira, janeiro 25, 2008
Mixtape#1
andei fazendo umas mixtapes, só pra lembrar o tempo em que gravar uma fita era algo bem usual. tinha aquele lance todo de fazer uma seleção, criar uma seqüência, e fazer tudo caber no tempo que cada lado tinha.
para a primeira delas, eu fiz uma seleção de reggae e ska:
lado 1: [tocar][baixar]
wonderful world, beautiful people (jimmy cliff) || liquidator (harry johnson & the all stars) || the tide is high (the paragons) || double barrel (dave & ansel collins) || i'm in the mood for ska (lord tanamo) || reggae hit the town (the ethiopians) || get up edina (desmond dekker) || sea cruise (rico) || monkey man (the maytals) || doctor dick (lee perry) || baby come back (pato banton) || ghost town (the specials) || transcontinental ska (the nails)
lado 2: [tocar][baixar]
guns of navarone (the skatalites) || long shot kick the bucket (the pioneers) || sweet sensation (the melodians) || the israelites (desmond dekker) || the selecter (the selecter) || do you feel the same way too (the wailers) || monkey spanner (dave & ansel collins) || a message to rudy (the specials ft. rico) || return to django (the upsetters) || yea yea (the riots) || my conversation (the uniques) || it mek (desmond dekker & the aces) || i stand predominant (the wailers) || red red wine (tony tribe) || guava jelly (johnny nash)
sábado, dezembro 29, 2007
sem importância
fazia muito tempo que eu não escrevia assim, só por escrever. durante algum tempo foi só o que eu fiz de verdade. e algumas vezes fazer isso era incrivelmente prazeroso. nem sempre a gente lembra o quanto certas coisas são prazerosas, mas também porque é difícil algo ser simplesmente prazeroso quando você cria expectativas em torno. não faz muito tempo eu andei a ler e a assistir coisas para conseguir escrever sobre aquelas imagens que simplesmente surpreendem a pessoa, sobre o afeto que surge dessa experiência única que é algo te atingir em cheio. e eu estou escrevendo justamente por algo que me pegou em cheio. e eu nem esperava que fosse tanto. acabo de ver Ratatouille e o que esse filme deixou aqui é difícil de explicar. e, no entanto, é extremamente estimulante. a vida deve ser mesmo imprevisível.
posso dizer que esse ano vi coisas maravilhosas, algumas dessas imagens que te fazem ver o indizível, o impensável. por isso mesmo, deve ser estranho para muita gente entender porque todo esse barulho em torno de um simples desenho animado. mas é justamente por ser um “simples desenho animado”. tem uma frase num livro de Edgar Morin que diz que tudo o que um poeta vê é poesia, assim como sonho é tudo o que vê um sonhador. é interessante pensar nisso, as coisas que tu vês como algo a definir aquilo que tu és.
posso não lembrar aqui de todas os filmes vistos por mim esse ano e que foram experiências boas. inclusive, esse foi um ano que fui pouco ao cinema, por isso acho que me dei a oportunidade de ver e rever coisas antigas, que eu precisava mesmo ver. e teve tanta coisa. tanta descobertas. rever a trilogia do Poderoso Chefão foi algo muito pensado e planejado. rever Táxi Driver e Touro Indomável foi puro impulso. no entanto, descobrir Dias de Paraíso foi muito importante. mais um daqueles filmes que entram na lista de “filmes da vida”. entre essas tiveram várias outras, muitas delas importantes. algumas que eu quase não sei o que dizer a respeito: O Estranho que Nós Amamos e alguns episódios do Decálogo. Nem todas foram vistas nas melhores condições, mas no final o que fica é a imagem, é o que se sente com elas.
em Jogo de Cena eu vi uma mulher emocionada com Procurando Nemo, um filme que deve ter marcado muito a vida dela. e isso tem muito a ver com o que eu tento escrever aqui. porque muitas vezes não existe um motivo especial para isso, e é bom mesmo que não exista. lembro de tentar convencer algumas pessoas de que O Hospedeiro – um filme de monstro – é algo que merece muito ser visto. e como tentar convecê-las se existe uma predisposição sobre como ver um filme de monstro. ou como ver uma comédia adolescente, ou até mesmo um desenho animado. às vezes tento perceber o percurso que me levou a ser tão aberto com esse tipo de coisas, e não tenho nenhuma conclusão. mas fico feliz comigo mesmo por me permitir isso. já nos direcionam tanto com relação a tantas coisas na nossa vida, coisas que muitas vezes são impostas como escolhas. por que eu iria abrir mão de ver algo que pode realmente ser marcante para mim, me deixe alegre ou me deixe triste?
creio que Ratatouille fala um pouco sobre isso, sobre deixar as predisposições um pouco de lado no momento em que surge um daqueles sentimentos genuínos, que parecem tão raros depois de um tempo. a história é também sobre como utilizar os talentos, mesmo que pareça errado, mesmo que não deixem devido a alguma convenção qualquer. mas, mais importante do que isso, é sobre personagens, pessoas com quem você se importa no final das contas. pessoas como a maioria das pessoas que você conhece. mesmo seja um rato, ainda assim é uma pessoa.
e não faz diferença se o filme é uma animação em 3D. porque, quando a história flui, isso é o que menos importa. é uma imagem e tu não pensas nela como mera tecnologia. fico pensando em como as coisas se desenvolvem até chegarem um ponto não serem mais tão relevantes, o que importa é o que trazem. fezendo considerações sobre os filmes de 007, série da qual nunca fui muito fã, consegui perceber o quanto algo que se acontece ao longo de décadas para chegar numa cena como aquela do chuveiro de Casino Royale só pode ser algo importante. no entanto, não é só isso. é importante porque existem pessoas que têm aquilo como algo importante desde sempre, até que elas conseguem te mostrar isso. por outro lado, eu sempre me interessei por comédias adolescentes, aquelas sobre o colegial. e fico feliz quando vejo que outras pessoas se interessam tanto quanto eu a ponto de fazer Superbad ser um filme tão bom, e ser uma simples comédia adolescente.
no final de Santiago tem um diálogo de um filme de Ozu sobre a vida, no qual se diz que a vida não tem nenhum sentido ou algo assim. Santiago é um filme sobre a relação de alguém com as imagens que um dia criou, mas nunca soube o que fazer sobre elas. uma reflexão sobre a trabalho e sobre a vida. contar a vida de um mordomo sempre tão dedicado ao seu dever de servir bem as famílias para as quais trabalhou, também dedicado à historia de tantas grandes famílias que nunca conheceu. e no final de tudo o que ele deixou foram suas memórias e páginas e mais páginas de manuscritos em um velho apartamento. e para que serve isso no final das contas. não sei. creio que para algo muito menos importante do que a pessoa em si. e o que importam são elas.
não tem importância alguma um texto sobre Ratatouille, assim como o próprio filme não significa coisa alguma para um monte de pessoas. o que é relevante, talvez, seja a idéia que algo sem importância, possa dizer sobre as pessoas que falam a seu respeito.
segunda-feira, novembro 06, 2006
"só porque foi a fiona que disse"
ou justamente o contrário
The thing that used to make me such a sad kid, that would run through my mind all the time, was that I wanted a family of friends. And I thought I was never going to have that because there's never going to be people sitting around a room having fun, when somebody stands up and goes, "Hey, we should call up Fiona, because it would be more fun if Fiona was here!"
segunda-feira, outubro 30, 2006
balanço das férias
(é que elas terminaram antecipadamente)
- vi filmes que estava querendo ver no cinema, mas não fui tanto quanto deveria.
- escrevi 60% de um roteiro de longa e tive idéia para um curta e comecei uma pesquisa sobre ele.
- fui a um casamento.
- vi vários filmes em dvd.
- pude constatar mais uma vez que ruiva pode (sempre pode).
- quase fui linchado por causa da lindsay.
- não viajei, mas programei uma viagem para o próximo mês.
- fui a algumas festinhas, mas minha vida social não se expandiu muito.
- não fui a praia... calçadão às 4h da tarde não conta.
- terminei de ler dois livros dos quatro que eu compreo do sandman e começei o terceiro.
- tomei água de coco, porque fazia tempo que não tomava.
- resolvi pendências no mestrado (colo grau dia 22 de novembro).
- fiz back up de algumas coisas (é que eu comprei um gravador de DVD pro computador).
- baixei meu primeiro filme via torrent: Peeping Tom, mas ainda não consequi passar pra DVD porque meu computador ainda não suporta.
- baixei umas músicas de bootleg da fiona apple. tão lindas.
- li camille paglia; uma análise que ela fez sobre Os Pássaros, de Hitchcock.
- votei.
- o reveillon já está programado: vai ser em japaratinga. faltam alguns detalhes a resolver.
- não arrumei meu quarto.
- mostrei olinda para um casal de portugueses que vão passar seis meses por aqui
- comi menos sushi.
- usei minhas economias para uma emergência.
- O filme Uma vida e outra, de Daniel Aragão, cujo roteiro eu escrevi foi selecionado pro festival de brasilia (é pra lá que vou em novembro)
- machuquei o pé tentando dançar break (mas me disseram que foi bastante performático).
- silvia veio para o aniversário dela e eu dei Paul Auster de aniversário.
- perdi o Tim Festival, mas pior é que nem doeu.
- prometi fazer uma música para mari, mas minha carreira de rapper não deslanchou.
- não virei a noite nenhuma vez.
- poderia ter sido melhor, mas um monte de coisa podia ser melhor também e não é.
- estou no meu inferno astral.
sábado, outubro 07, 2006
algumas coisas que valem a pena
agora eu vou ficar uma hora parado pensando no que ela disse...
... provavelmente ela não disse nada de importante.
amanhã eu acordo lúcido e descubro isso. nesse momento apenas faz sentido.
domingo, setembro 24, 2006
o fantástico mundo de...
David Lachapelle é um fotografo bem conhecido e bem hypado por causa da sua visão surreal e exagerada que empresta ao mundo da moda e da publicidade. Acontece que ele também curte dirigir videoclipes para uma gama bem variada de artistas que vão de The Vines a Mariah Carey, de Avril Lavigne a Whitney Houston, de Blink 182 a Elton John. Sei que um dia desses eu revi o clipe de Natural Blues, do Moby. Aí quando passou aquela cena da Christina Ricci dançando em cima da TV eu fiquei um bocado emocionado. Aí lembrei de outros clipes dele como o de Super Duper Love, da Joss Stone e I?m with you, da Avril Lavigne. Bom, esse último dá um novo sentido a imagens de adolescentes dançando em câmera-lenta e foi o responsável por eu finalmente assumir que gosto da Avril (mas isso é outra história). Como uma coisa leva à outra... fui procurar pelas fotos dele. Ele fez um monte de imagens que muita gente já deve ter visto, mesmo sem saber. Aí no site dele vi que tinha uma seção de PORTRAITS. Um monte de fotos de um monte de celebridades. Claro que eu fui logo ver as fotos das moças que povoam meu imaginário desde a década passada (inclusive a Natalie, claro). Foi aí que saquei que é graças a pessoas como Lachapelle que isso acontece. Essas pessoas que empurram imagens e mais imagens maravilhosas de gente mais ou menos maravilhosa que acabam de alguma forma fazendo parte de sua vida de uma forma bem freqüente. E, nas fotografias feitas por Lachapelle, estão essas mulheres emprestando suas presenças para a criação de um mundo colorido, estético, assimétrico e praticamente intangível. Ao mesmo tempo em que faz presente, afasta com a exuberância das cores e das formas. Ao mesmo tempo que capta um momento e transforma a realidade destrói qualquer possível legação com o ?real?. Não é como aquelas publicidades dos anos 50 em que mostravam a idealização de um padrão de vida que se pretendia real. Ele não busca mostrar o ideal, mas apenas o sonho e a impossibilidade. As fotos podem mostrar um mundo que escapa da realidade, mas não me sugere uma fuga. Acho que é mais o lance de me mostrar que não tem como fugir. O mundo que ele cria está só nas fotos.
também postei uma série de fotos dele no meu fotolog
sexta-feira, setembro 22, 2006
E, então, eu vi o Tortoise
Foi na segunda noite do No Ar Coquetel Molotov 2006. Claro, antes rolaram outras coisas. E o festival esse ano trazia muitas atrações por dia, o que tornou tudo uma maratona cansativa. E Tortoise foi a última banda. E ao longo da noite parecia que a ficha não ia cair. Era uma expectativa grande para ver uma das bandas da minha vida, mas ao mesmo tudo isso não causava ansiedade... eu ia ver Tortoise e tudo bem. E eu vi Tortoise antes da maioria das pessoas. Quando cheguei ao Centro de Convenções da UFPE, pensei que chegaria já no meio da sessão dos curtas que Daniel e Juliano selecionaram em nome da Símio Filmes. No entanto, eu cheguei lá e a salinha ainda estava sendo arrumada com seus puffs e iluminação e sistema de som e os suquinhos que uma ruiva distribuía junto com outra garota que também dava chocolates. E chegou o momento que alguém precisava anunciar, via sistema de som, que ia começar a mostra. Aí surge Vivi dizendo que Jarmeson não estava por lá e que as meninas não gostam de fazer o tal anúncio e perguntou se eu poderia faze-lo. Claro, não ia ser nada demais e eu ainda tive a oportunidade de conhecer os bastidores do teatro. Nessa hora justamente o Tortoise passava o som.
Então teve a mostra de filmes com coisas bem legais tipo Meu nome é Paulo Leminski, Fast Film e Quero ser Jack White. Aí depois rolaram os shows. Hrönir trouxe uma apresentação que eu não sei bem explicar, mas conseguia criar climas interessantes e atingir freqüências difíceis de suportar. Debate eu não vi direito, porque a sala estava cheia e o som estava alto, depois da primeira música, saí e voltei justamente na última. Teve o Chambaril, com uma apresentação muito boa, mas que teve seus problemas com equipamento. Com direito a Costinha e onda do gueri gueri nas projeções. Aí começaram os shows no palco principal. Vi Barbis e Valv lá do balcão. A primeira tem lá sua graça, mas cansa por vezes. A segunda fez um show bem empolgado e o vocalista destacou varias a importância de estarem tocando numa estrutura como aquela. Móveis Colônias de Acaju foi um verdadeiro fenômeno de massa, tinha até gente com faixa na platéia, gente cantando as músicas, isso de uma banda que a exposição máxima na grande mídia foi uma aparição no MTV Banda Antes, a galera se instigou um bocado, eu achei bem legal, mas preferir apenas observar. E Rubin Steiner parecia ser bem mais legal do que realmente foi. A música do cara era interessante e ele tinha uma presença de palco boa, mas o show não chegou a deslanchar.
Então teve o Tortoise. Antes do começo do show todo mundo procurava os melhores lugares, começava um pouco de ansiedade. E aí o show começou tenso, porque algumas pessoas não sabiam se iam ver em pé ou se iam sentar. E as vezes parecia que um monte de gente só estava ali por estar. Mas já no final da segunda música dava para perceber que show fantástico todos estávamos vendo. Que os caras tocam muito, acho que dá pra sacar pelos discos, mas que o show deles é algo extremamente poderoso e dinâmico, só vendo mesmo pra perceber. Também vale destacar que o Tortoise consegue chamar a atenção de um leque enorme de gente. De doidão a mombojete, muita gente estava realmente interessada em ver os caras. E se a platéia não parecia estar respondendo ao show foi porque estava atenta. Os caras trocam de lugar no palco e de instrumento com freqüência e as vezes não dá para acreditar que estão fazendo tudo aquilo lá na frente. Um gravão potente provocava arrepios. E teve um momento em que tocaram uma das músicas mais belas dele ?I set my face on the hill side?... foda!
E depois que tudo acabou, voltar a realidade. Já era quase de manhã e mesmo sendo domingo, existem compromissos. Sei que acabei conhecendo algum dos caras do Tortoise e confirmei uma impressão que tinha deles, são pessoas que gostam de música, que gostam de conhecer outras coisas, que sabem a importância das composições, as deles inclusive, na vida das pessoas e por isso mesmo são pessoas bem normais. Fiquei feliz porque pude dizer a eles que eles precisavam ouvir Itamar Assumpção e porque descobri que Dan Bitney gosta de Roberto Carlos e é fascinado pelos teclados de Laffayette.
terça-feira, setembro 12, 2006
recompensa por ficar acordado
Sexta-feira, final de tarde, eu pego um ônibus (para desmistificar a história de que os shows acontecem em um lugar distante e de difícil acesso...) e, depois da viagem já bastante conhecida por mim, chego no campus da UFPE - estudei lá quatro anos e meio na graduação e mais dois no mestrado. O No Ar Coquetel Molotov cresceu, mas ainda é o mesmo festival, isso ficou claro com o primeiro show da Sala Cine UFPE: Tony da Gatorra. Sabe aquela coisa punk do "faça você mesmo" é o caso desse artista, porque ele fez até um instrumento, a tal gatorra que parece uma guitarra, mas faz sons que parecem saídos de um Atari enquanto Tony destila suas letras de protesto. O show terminou com uma jam muito legal com a participação de Kassin, que foi a segunda atração com seu projeto Artificial. Musica eletrônica tocada na hora com lap top, game boy e parafernálias do tipo, sozinho Kasin conseguiu fazer um show incrível e bem pesado. Depois veio Diversitrônica, que junta os produtores Zé Guilherme, Leo e William, e não é a toa que têm esse nome, é música eletrônica para se divertir. Já não é novidade que os shows da salinha acontecem junto com as projeções que esse ano ficaram a cargo da Símio Filmes, mais precisamente Juliano Dorneles e Daniel Aragão. Nesses dois últimos shows eles fizeram as projeções mais legais: para o Artificial eles fizeram a mais conceitual e integrada com a música, para o Diversitrônica encheram a tela de cheer leaders e mulheres dançando.
Aí, começando os shows no Teatro da UFPE, Ahlev de Bossa trouxe seu experimentalismo com belas melodias e a melhor jam session que eles já fizeram, com destaque para o trompetista, que eu nunca tinha visto tocar com eles. Acho uma das bandas mais interessantes daqui do Recife, porque conseguem ser experimentais sem serem herméticos. Precisam fazer mais shows para melhorar no palco, mas já é uma grande banda. Badminton veio depois e já era outro astral. Uma banda de rock clássica. E muito boa. Já são veteranos, mas só se apresentam esporadicamente. O show teve lá seus problemas de som, mas conseguiu ser massa mesmo assim.
A primeira atração internacional do festival: Spleen. Eu não conhecia quase nada, mas li uma matéria e saquei o quanto música era algo que fazia parte da vida dele. Imaginei que o show ia ser bom por causa disso. Aí começa o cara lá no banquinho e violão com uma voz bem legal depois entram outros instrumentos e o show vai crescendo aos poucos. Depois de algumas músicas, fica sozinho no palco um branquelo de óculos de aro grosso chamado Tez que começa um beat box insano. É nessa hora que as pessoas correm em direção ao palco, eu inclusive, e aí a banda volta e manda ver o riff de Beat It de Michael Jackson. Spleen dança com uma saia de bailarina. Desce do palco visivelmente entusiasmado com o show. Enfim, não sei dizer se foi Spleen que levantou o público ou se foi o público que transformou o show em pura catarse; provavelmente foi um troca.
Descrever o show do CocoRosie parece uma tarefa inútil. Foi mais intenso do que um show de música. O clima do show é propício para dormir, e isso não é maldade. Foram as próprias irmãs que compõem e cantam as músicas que disseram vir tudo através de sonhos. Elas são estranhas. O clima do show é etéreo. Projeções de vídeo misturando unicórnios com imagens ao mesmo tempo tão cotidianas e estranhas. E tudo praticamente escuro. Eu não tinha me empolgado com as músicas que tinha ouvido, mas o show é outra coisa. Foi uma das coisas mais bonitas que eu presenciei. Era preciso lutar contra o próprio clima, o avançado da hora e o cansaço para não perder nada. As duas cantam bem, foram acompanhadas pelo pessoal do Spleen, colocavam ruídos de animais sobre as músicas e teve até uns passinhos de break. E eu lá parado, sem conseguir piscar, sem me preocupar se aquilo era bom ou ruim, porque era muito intenso. Mas aí o sono me pegou mesmo no show de Júpiter Maçã, mas o público que tinha escolhido ele para ser uma das atrações do festival parecia mesmo se divertir lá na frente, enquanto eu estava indo embora, mas sem nenhum peso na consciência.
segunda-feira, setembro 11, 2006
porque eu preciso dizer isso (na verdade, acho que já devia ter dito)
Já faz um tempo que passou. E agora é só memória. Para quem gosta de saber das coisas no calor da hora, provavelmente esse texto é matéria fria. Mas eu preferi dar esse tempo para escrever sobre a última edição do festival No Ar Coquetel Molotov 2006, que aconteceu nos dois primeiros dias do nono mês do sexto ano do novo milênio (informação para quem curte datas). É válido começar dizendo que eu tenho uma certa ligação afetiva com o festival. Explico: eu conheço os organizadores do evento (Jarmeson, Aninha, Tathi e Vivi) a um bom tempo, já participai mais de uma vez do programa de rádio deles, e dei algumas contribuições à revista também; soube do festival quando ele ainda era um projeto. Além disso, o festival já tinha sido responsável por momentos no mínimo agradáveis - o Teenage Fanclub, o Profiterolis (o show da salinha), Berg Sans Nipple, Mellotrons (um show instigado, mesmo sendo no teatro) - e até momentos surreais - Matt Dillon em uma festa pós-festival. Enfim, esse ano saiu no jornal que o festival se solidificou no calendário anual de eventos culturais da cidade, mas ele já faz parte da minha vida desde o primeiro ano. Aí, para a edição 2006 eles aprontam uma e resolvem trazer o Tortoise (Tortoise, porra!!). Bom, basta dizer que Tortoise é uma das bandas da minha vida.
Logo de cara deu para perceber que o evento cresceu no quesito visibilidade: acho que não teria empresas promovendo suas marcas em um lugar que não tivesse tal atributo. E, num mundo onde raramente se separa cultura do mercado, isso é algo importante. Não era mais aquela reunião de amigos do primeiro ano, nem a curiosidade do segundo. Parecia mesmo um evento viável. Mas que manteve suas características básicas.
quarta-feira, agosto 16, 2006
coisas para gostar, mas que fazem sofrer...
Aquela sessão de Vá e Veja na Fundação foi um dos momentos mais devastadores da minha vida. É engraçado essas coisas que a gente faz só porque gosta de cinema. O filme estaria numa lista dos melhores que eu já vi, certamente é um dos mais impactantes e extremos que já me atingiu. E foi em cheio. Eu não conseguia pensar em mais nada ao final do filme. As pessoas pareciam acompanhar um cortejo fúnebre quando se dirigiam a saída, ninguém falava nada, todos de cabeça baixa. E tipo, este não é um filme em que você chora por causa dos personagens e depois tudo fica bem. O filme te mostra com agonia o sofrimento das personagens, mas não é um filme pra chorar. É um filme que te incomoda de uma forma intensa.
Pra quê ir ver um filme pra sofrer tanto assim? Tem gente que acha um absurdo ir ver um filme pra ficar mal. Talvez eu tenha ido mesmo por gostar de cinema. Mas não é só isso. Sensações como estas provocadas por Vá e Veja fazem parte da vida, e podem ser aceitas como fruição estética. É uma discussão muito grande, na qual não quero entrar, sobre o porquê da arte e coisa e tal. O fato é um ótimo filme, mas não dá pra dizer que gostei. Não indiquei a uma pessoa sequer. Tem uma diferença entre achar uma obra boa e de fato gostar dela. Na verdade, nem sempre é preciso gostar pra ser uma experiência válida.
No meio do filme tem uma cena que eu achei prazerosa e bela de fato. Tem essa moça dançando como uma bailarina de cabaré em cima de uma mala no meio de uma floresta. Mesmo assim é uma cena desconcertante porque surge logo depois de um ataque aéreo, a tal floresta está bem devastada, a moça está toda suja de estilhaços e pólvora e fumaça; o som que acompanha a cena não é nenhuma música, um ruído contínuo, pois o personagem principal (o plano é uma subjetiva) está surdo devido à explosão.
Tem essa crítica que dá mais detalhes sobre o filme
sexta-feira, julho 28, 2006
acho estranho...
... só ir trabalhar de tarde
... acordar e assistir ghost world
... ler a biografia de josé mojica marins antes de dormir
... pegar um compacto do dalto e ouvir na radiola antes do almoço
... escrever a palavra "radiola"
... receber um telefonema de briza
... escrever nesse blog só por escrever
e hoje eu fiz tudo isso... e faço coisas assim minha vida toda...
muito estranho
quinta-feira, julho 27, 2006
domingo, junho 11, 2006
Oh ! Paris perdu / Je retourne vivre à Paris
essa semana foi o aniversário da Natalie (um quarto de século), e eu nem ia escrever nada referente como fiz de outras vezes, também, por algum dessas razões misteriosas não o NP.com para acompanhar a semana da Portmania que o pessoal do site sempre faz durante a semana de aniversário dela colocando coisinhas especiais para comemorar a data - esse pessoal é bom mesmo, eles descobrem muita coisa, de fofocas a anúncio de novos projetos. mas, voltando, hoje de manhã eu peguei o jornal e vi que a Globo programou logo O Profissional para passar no Supercine, pensei que pudesse ter sido uma espécie de homenagem de algum programador fã, e me senti meio relapso por não ter feito nada para marcar o dia - que por sinal foi ontem e a melhor coisa que eu fiz foi ir pro show do mellotrons (showzão por sinal) ? aí entrei no site para ver o que eles tinham aprontado... e aí, que eu nem dei tanta bola pros posts da Portmania, já que hoje eles publicaram umas 30 fotos dela andando pelas ruas de Paris... Paris, sabe? a capital da França? cidade das luzes... saca? cidade que por acaso é onde Daniel está essa semana. e sabe porque ele está lá? como A conta-gotas foi selecionado para o festival de curtas de Hamburgo ele foi convidado a ir lá para apresentar o curta e tal. acontece que foi um sufoco danado para conseguir a passagem, porque a Ancine e a Fundarpe tinha sinalizado com esse apoio, mas depois voltaram atrás. só que eu acabei falando com o pessoal lá na Prefeitura e acabou rolando a passagem, que virtualmente seria minha, caso Daniel tivesse conseguido outra forma de ir. e, como não fazia sentido eu ir e Daniel não ir, já que ele é o diretor do filme e de toda forma o convite foi para ele, eu abri mão da passagem porque era o certo a fazer. e daí que ele está lá. em Paris, saca? a capital da França? cidade das luzes... cidade onde a Natalie esteve essa semana, sabe? nem tô triste, nem tô revoltado, nem nada do gênero... só ri um pouco de como as coisas são. e, no futuro, eu posso usar isso para mostrar como eu sou um grande amigo e fazer algum tipo de chantagem emocional.
ah! se O Profissional foi programado por algum fã que trabalhe na Globo, eu não posso ter certeza. mas, como nas chamadas do Supercine que passaram nos intervalos nem citavam o nome dela, posso imaginar que tenha sido só uma coincidência.
terça-feira, maio 16, 2006
respira fundo
a pessoa não vive sem respirar, né? na maioria das vezes, a pessoa simplesmente respira. nem se preocupa com isso. a não ser que haja algum problema, aí a pessoa se preocupar porque não consegue respirar e tenta respirar. e é isso. a gente precisa respirar pra viver. mas não se preocupa em respirar. não tem que aprender. nem tem que ser estimulada, na maioria das vezes. apenas respira. e pronto. vive.
então, um dia eu fui numa médica. ela disse que eu não sei respirar. eu nunca imaginei que fosse possível não saber respirar. mas a médica disse. e acho que ela sabia o que estava a falar. e parecia mesmo saber. e vai ver é isso: eu não sei respirar. e o fato de estar vivo, deve ser uma espécie de truque, de trapaça, de fraude. talvez insistência, talvez teimosia.