domingo, junho 11, 2006

Oh ! Paris perdu / Je retourne vivre à Paris

essa semana foi o aniversário da Natalie (um quarto de século), e eu nem ia escrever nada referente como fiz de outras vezes, também, por algum dessas razões misteriosas não o NP.com para acompanhar a semana da Portmania que o pessoal do site sempre faz durante a semana de aniversário dela colocando coisinhas especiais para comemorar a data - esse pessoal é bom mesmo, eles descobrem muita coisa, de fofocas a anúncio de novos projetos. mas, voltando, hoje de manhã eu peguei o jornal e vi que a Globo programou logo O Profissional para passar no Supercine, pensei que pudesse ter sido uma espécie de homenagem de algum programador fã, e me senti meio relapso por não ter feito nada para marcar o dia - que por sinal foi ontem e a melhor coisa que eu fiz foi ir pro show do mellotrons (showzão por sinal) ? aí entrei no site para ver o que eles tinham aprontado... e aí, que eu nem dei tanta bola pros posts da Portmania, já que hoje eles publicaram umas 30 fotos dela andando pelas ruas de Paris... Paris, sabe? a capital da França? cidade das luzes... saca? cidade que por acaso é onde Daniel está essa semana. e sabe porque ele está lá? como A conta-gotas foi selecionado para o festival de curtas de Hamburgo ele foi convidado a ir lá para apresentar o curta e tal. acontece que foi um sufoco danado para conseguir a passagem, porque a Ancine e a Fundarpe tinha sinalizado com esse apoio, mas depois voltaram atrás. só que eu acabei falando com o pessoal lá na Prefeitura e acabou rolando a passagem, que virtualmente seria minha, caso Daniel tivesse conseguido outra forma de ir. e, como não fazia sentido eu ir e Daniel não ir, já que ele é o diretor do filme e de toda forma o convite foi para ele, eu abri mão da passagem porque era o certo a fazer. e daí que ele está lá. em Paris, saca? a capital da França? cidade das luzes... cidade onde a Natalie esteve essa semana, sabe? nem tô triste, nem tô revoltado, nem nada do gênero... só ri um pouco de como as coisas são. e, no futuro, eu posso usar isso para mostrar como eu sou um grande amigo e fazer algum tipo de chantagem emocional.

ah! se O Profissional foi programado por algum fã que trabalhe na Globo, eu não posso ter certeza. mas, como nas chamadas do Supercine que passaram nos intervalos nem citavam o nome dela, posso imaginar que tenha sido só uma coincidência.

terça-feira, maio 16, 2006

respira fundo

a pessoa não vive sem respirar, né? na maioria das vezes, a pessoa simplesmente respira. nem se preocupa com isso. a não ser que haja algum problema, aí a pessoa se preocupar porque não consegue respirar e tenta respirar. e é isso. a gente precisa respirar pra viver. mas não se preocupa em respirar. não tem que aprender. nem tem que ser estimulada, na maioria das vezes. apenas respira. e pronto. vive.

então, um dia eu fui numa médica. ela disse que eu não sei respirar. eu nunca imaginei que fosse possível não saber respirar. mas a médica disse. e acho que ela sabia o que estava a falar. e parecia mesmo saber. e vai ver é isso: eu não sei respirar. e o fato de estar vivo, deve ser uma espécie de truque, de trapaça, de fraude. talvez insistência, talvez teimosia.

segunda-feira, abril 24, 2006

vastas emoções e pensamentos imperfeitos ou o ombro de Camille

tinha sido um final de semana bem movimentado, que, não por acaso, começara na quinta a noite, em uma festa que foi igualmente animada e seqüelada. sexta teve o primeiro dia do abril pro rock, sem muita empolgação pra ver muita coisa, mas muito divertida no final das contas, graças principalmente ao Stereo Total (bandinha massa) e ao Diplo, até. mas também foi uma noite errada no final das contas. então sábado eu fui pra praia - boa viagem, primeiro jardim - e não lembro a última vez que havia ficado tanto tempo em qualquer praia que fosse, e acabou que foi muito legal, apesar do sol e do vermelho em algumas partes do corpo. e ainda teve uma incursão pelos temperos fortes do Applebee's, com direito a parafuso na limonada e uma garçonete muito feliz demais, mas no final das contas ficou aquela sensação de fastio provocada pelo refrigerante free-refil. e deve ter sido pouco depois disso que começou.

o plano para conseguir provar que tudo isso não tinha tanto peso: horas e horas preparando o show de Camille - músicas, fotos, vídeos. sonho, até. uma agonia desgraçada até chegar ao pavilhão, mais uma noite de abril pro rock. sei que teve coisas boas antes e depois do show - Cidadão Instigado; Lafayette, até; Cachorrão (o melhor? talvez) - e teve uma trilha sonora enquanto eu varava a cidade no banco de trás de um carro - e era uma música muito boa e redentora, até. devia estar muito chato, porque deixava claro o quão insignificante estava todo o resto diante dela. e não estava nos planos ficar daquele jeito por causa dela, mas eis que era inevitável. e o show começa, e a pessoa sabe que é bom, mesmo não sem ser escutado como merecia, mas o pior é que nem isso parecia ser importante a partir de agora.

ela lê um papel e saca logo que é sobre aquela música, que tem um refrão massa, que fala dos ex. e ela precisa dos ex dela no palco. não tinha outra coisa pra fazer, não tinha como não ser. aí foi. não sei quantas pessoas viram aquilo, sabia que não era uma coisa muito legal de se fazer. mas eu precisava ver Camille de perto. tipo, precisava mesmo. ninguém vai fazer muita idéia. e ela falou para as pessoas dançarem, e os outros começaram a fazer uma dança sincronizada, mas eu nem me liguei porque estava olhando para ela. não tinha mais nada para ver. e uma hora ela se vira e fica de frente para mim, e sem saber bem se era um convite eu vou danço na direção dela. depois até faz o mesmo com os outros caras que subiram ao palco - com aquela lambada assustadora de um amigo que me fez lembrar o que é v.a.. aí acabou a música e tinha que descer do palco, e os outros vão na direção dela e uma menina fala que ela é muito bonita, um gordinho pede um autografo em um CD e não sei o que mais... e aí eu me aproximo e dou um beijo no ombro dela. num sei porque, mas foi. e aí eu vi os olhos dela.

depois de ver o resto do show da platéia, voltar a realidade. e como tenho um senso de realidade meio distorcido, só tenho certeza que realmente beijei o ombro da Camille porque as pessoas ainda vêm me falar sobre isso.

quinta-feira, abril 13, 2006

uma conversa dez anos antes de maria flor ir embora

    cadê você?
aqui
    explica como é que funciona
    porque eu já tô prestes a desistir
o que?
    isso...
    as pessoas se interessam por outras
    elas saem
    elas ficam
    elas namoram
    parece simples
    mas eu não entendo
é simples
    o mecanismo
    não acontece
    não funciona
por que não?
acho que tu fica esperando...
quando a gente espera, nunca acontece
pelo menos é assim que é comigo
    não...
    não é esperar
o que é?
    eu espero um ônibus na parada
    porque sei que cedo ou tarde ele passa
    eu espero começar um filme, na hora da sessão
    e normalmente ele começa
    espero que uma hora o sono chegue
    e na maioria das vezes ele chega
    isso é esperar
tu não acha que uma relação pode chegar também?
    não
    porque isso não faz parte da natureza
    da natureza de ter uma relação
por que tu acha que não?
    as pessoas nascem sozinhas e morrem sozinhas
    isso faz parte da natureza
    da natureza de estar só
    então você pode esperar ficar só
    ou
    fazer algo, que não é esperar, pra conseguir dividir algo com alguém

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

alguns segundos diante dela

e era um momento muito esperado por mim: não apenas ver você, mas saber que você me vê. e eu posso dizer, que o homem diante de você lhe deve muito. durante muito tempo minha vida foi voltada para quando enfim nos encontrássemos, e tudo que eu fiz foi por sua causa. provavelmente você já ouviu centenas de pessoas dizerem coisas muito parecidas. dizerem o quanto você é especial, o quanto você é importante, o quanto elas lhe amam. e eu tento imaginar o quão estranha deve ser a sensação de ouvir isso de alguém que você nem conhece, para quem você nem é real. o que me leva a pensar se vale a pena dizer todas as coisas as quais guardei durante os anos. eu não queria falar. na verdade, eu preferia ouvir você. ou que talvez os dois ficássemos calados. então você saberia tudo isso só através do meu olhar. e talvez lembre do dia em que um estranho parou por alguns segundos diante de você, olhou nos seus olhos, e sorriu.


esse nem é tão recente, mas já que estava sem atualizar...