quarta-feira, fevereiro 08, 2006

alguns segundos diante dela

e era um momento muito esperado por mim: não apenas ver você, mas saber que você me vê. e eu posso dizer, que o homem diante de você lhe deve muito. durante muito tempo minha vida foi voltada para quando enfim nos encontrássemos, e tudo que eu fiz foi por sua causa. provavelmente você já ouviu centenas de pessoas dizerem coisas muito parecidas. dizerem o quanto você é especial, o quanto você é importante, o quanto elas lhe amam. e eu tento imaginar o quão estranha deve ser a sensação de ouvir isso de alguém que você nem conhece, para quem você nem é real. o que me leva a pensar se vale a pena dizer todas as coisas as quais guardei durante os anos. eu não queria falar. na verdade, eu preferia ouvir você. ou que talvez os dois ficássemos calados. então você saberia tudo isso só através do meu olhar. e talvez lembre do dia em que um estranho parou por alguns segundos diante de você, olhou nos seus olhos, e sorriu.


esse nem é tão recente, mas já que estava sem atualizar...

sábado, janeiro 28, 2006

falô, saturno

bom... eu não sei se faz sentido... mas eu queria que alguém me mostrasse como dar um rumo à vida em 10 passos simples.
inclusive... simplicidade é algo que eu preciso no momento

um dia desses me disseram que a coisa com a qual eu tenho mais dificuldade na vida é algo muito fácil de se resolver.
e como vai existir chão depois disso?

e antes que alguém venha falar merda: não, eu não estou mal

terça-feira, janeiro 03, 2006

e meu 2006 começou assim...

... não tem muito como saber a hora oficial num lugar onde não se tem a contagem regressiva da globo, por isso decidimos que iriamos nos guiar pela hora de flávia, mas acabou valendo mesmo a de leal. então eu estorei a garrafa de espumante, barato, mas ainda assim espumante, e foi a primeira vez na vida que eu fiz isso. eu tomo um gole e passo a garrafa para zenzi que faz a garrafa jorrar depois de sacudí-la. corro para dar um beijo de ano novo em júlia e dar um abraço em simone... depois não lembro a ordem. alguém grita para irmos pular as sete ondas. saímos gritando loucamente em direção ao mar. acontece que o mar de peroba é muito raso e quando a maré baixa só existe bancos de areia a algumas poças. algumas pessoas desistem no meio do caminho, chico faz uma referência a antoine doinel, mas apenas eu e fábio seguimos adiante. então foi assim: areia, areia, areia, areia, areia, areia, areia, areia, areia, areia, areia, areia, areia, areia, areia, areia, areia, areia, areia, areia, areia, "caralho, é um coral!". resultado furamos o pé e desistimos de tentar encontrar o mar. voltamos rindo da situação e avisamos aos outros que as sete ondas não vão rolar. no meio do caminho encontramos o pessoal da casa ao lado, a quem tinhamos perturbado a calma do momento qando passamos correndo em direção ao mar. eu falo com todos e aline me chama para uma foto que daniel estava tirando, mas eu não apareci, fiquei na sombra do flash. recupero minha garrafa de espumante e tomo o restinho depois de oferecer um pouco para aline provar (ela tinha comprado o seu próprio espumante barato de uma outra marca que tomamos logo em seguida). depois tem a ceia, que eu quase não como nada. epic do faith no more foi a primeira música que eu dancei esse ano. depois eu, daniel e aline nos aventuramos pela praia em direção à casa de pablo, onde está rolando uma festa. só qe depois de vencermos os maiores obstáculos, desistimos por causa da total escuridão a partir de um certo ponto. voltando para nossas casas, eu e aline recitamos auden em inglês, mas eu recito errado o poema the more loving one, aline recita o do relógio. dançamos junto com o pessoal da casa onde eu estava, principalmente chico, fábio, fernando. depois as pessoas morgam e eu tive que ir dormir às 3h porque não ia ficar mais ninguém.

ah! o espumante barato que eu comprei valeu muito a pena.

e meu 2005 terminou assim...

... dentre outras coisas, durante o dia eu raspei o cabelo (legal porque eu tinha ido comer ostra com o pessoal da casa ao lado com cebelo, dei uma saidinha para casa onde estava, e voltei para lá sem cabelo... o que resultou numa piada que ficaria sem contexto em poucas linhas), conversei com moisés sobre o lance da virada de ano reunir, mesmo que simbilicamente, as pessoas num sentimento coletivo de renovação: fechar um cíclo e começar outro. fiz uma salada com a ajuda de simone (na verdade, eu que ajudei ela) como minha contribuição para a ceia. depois fui tomar banho. acabou a água. algumas piadas com o nome de Foucault. vamos todos para a praia e eu carrego uma garrafa de espumante barato, mas não é sidra, é espumante de fato. na praia, simone diz que todo mundo tem que tirar a sandália para sentir a terra. é nos preparamos para a contagem regressiva...

sexta-feira, dezembro 09, 2005

uma trilha para o retorno de saturno

One last question: What's better about being 28 than 18?
Everything. Just... everything.

eu provavelmente não tenho mais idade para que uma cantora pop seja assim tão importante para a minha vida, mas me parece que Extraordinary Machine é um disco que eu tinha mesmo que ouvir nessa fase da minha vida. eu lembro que o disco anterior dela, When the pawn..., foi um dos discos que eu mais ouvi na minha vida, ouvia praticamente toda a noite e mais de uma vez. na época eu estava escrevendo um roteiro de um longa - eu tinha colocado na cabeça que ia passar a vida escrevendo roteiros de madrugada, tomando café e acordando tarde -. nessa época ela namorava com o PT Anderson, que já era um dos meus diretores preferidos, mas foi tudo uma feliz coincidência. sei que pouco tempo depois ela sumiu, e a vida continuou. eu não esperava mais que ela voltasse a gravar discos. vez ou outra aparecia na interne alguma gravação lo-fi dela cantando standards acompanhada por Jon Brion em um clube de Los Angeles chamado Largo...

eu não sei as razões que levam alguém a gostar de um disco (inclusive esse afeto relacionado com alguma forma de expressão ou representação é algo que eu gostaria de estudar), mas eu acho que mais de 50% dos motivos de qualquer pessoa gostar de algo assim (seja uma música, um livro, um disco, um filme, uma fotografia, um outdoor...) não faz parte do objeto, mas sim de quem o aprecia. não que eu não ache o trabalho da Fiona musicalmente interessante, pelo contrário, e esse disco mostra que ela tem algum tipo de assinatura musical, afinal foram três discos com produtores bem diferentes entre si, e mesmo assim é, de fato, um disco da Fiona Apple. não dá pra dizer que é pelas letras que trazem aquele fascínio, por ser uma mulher falando sobre a vida dela e sobre coisas que eu nunca vou entender de verdade, e alguma identificação, por ser uma pessoa que tem a mesma idade que você e passa pelos mesmos problemas de indefinição da vida. vai ver, no fundo é por causa da Fiona mesmo... porque era impressionante aquela menina tão vulnerável dizendo que havia feito mal a um homem delicado que a amava enquanto deslizava de calcinha por uma casa cheia de adolescentes também em roupas íntimas... e agora é no mínimo reconfortante que ela virou essa mulher, talvez ainda vulnerável, mas agora com algumas certezas sobre si mesma e sobre como encarar a vida daqui por diante...

sei que pra muita gente Fiona é chata. e provavelmente eu corro um enorme risco de ser mal interpretado escrevendo isso aqui... ou não, porque eu nunca neguei que sou chato também. o fato é que música é pouco para você tentar definir uma pessoa. quando alguém que eu nunca esperaria que pudesse gostar da Fiona diz pra mim que gosta é algo que não deveria me surpreender.